Estar aqui não é uma via de renúncia, mas de transformação.
Presenciamos transformações e
nas transformações que presenciamos, somos de alguma forma transformados. Basta
apenas um pensamento ruim e tudo mais é contaminado. Basta apenas uma gota de
ansiedade e o amanhã já foi contaminado. Nós estamos aqui para perdermos certas ideias que construímos enquanto vivemos: a morte
em si é um fato e não podemos mudar isso, mas as nossas ideias podem ser
mudadas no decorrer da vida. A grande questão não é sermos orgulhosos com a
verdade que construímos e que depois nos apropriamos. A grande questão é como
fazemos para transformar as verdades
que temos em verdades que somos. Podem tentar manipular a
verdade que tenho, mas nunca poderão manipular a verdade que sou.
Há uma obstrução nos ouvidos
e nos olhos de certas pessoas.
Uns acreditam que está tudo
resolvido e outros acreditam que há muito para se resolver. Tanto um quanto o
outro vivem à beira da inocência.
Estamos todos a caminho...
Caminho de quê?
A caminho.
Quem vive a caminho desinstalou-se. Não vive a margem do caminho. Não se estagnou.
O vento oferece o seu frescor.
A árvore a sua sombra e seus frutos. O Sol o seu calor e a Lua, a sua beleza
que corta a escuridão da noite. A criança oferece o seu sorriso, as flores o
seu cheiro, a chuva oferece o arco – íris e o caminho a impossibilidade do
retorno. A força oferece a fraqueza debilitante e a fragilidade, a força que se
agiganta.
É o espinho que por vezes,
mantém intacta a Beleza da Rosa.
Estamos todos a caminho.
Antes de oferecermos a fala, cabe
o silêncio.
Ter sabedoria para não irmos
da ignorância à estupidez.
Sabemos que o instrumento
justo nas mãos do injusto terá um efeito injusto.
O instrumento injusto nas
mãos do justo promoverá um efeito justo.
O contrário da simplicidade
é a duplicidade. O simples vive sem dobras: ele não é duplo.
O orgulhoso avarento não
dorme pois tem medo de que lhe tirem o que tem. O Simples até o que não tem é
compartilhado.
Por isso importa dizer:
estamos todos a caminho.
Toda passagem é uma passagem
para o vazio. Não há nada a temer.
Há imagens que serão quebradas
e isso nós chamamos de decepção.
[importa
que imagens quebrem. Somente assim vocês descobrirão os nomes que não devem ser
mais citados e endereços que não devem ser mais visitados]
Há projetos que não irão se
concretizar e isso chamamos de frustração.
[o
obstáculo que a frustração cria é o caminho por onde você continuará]
Há amores que descobrir-se-ão
não reais e isso nós chamamos de desilusão.
[a
desobrigação de acreditar em uma mentira é a maior das liberdades]
Há uma verdade que lhe tira
da caverna da aparência: a verdade que você não quer saber.
Na escolha de ir para alguém,
só vale se o “ir” para alguém lhe tornar alguém, caso contrário, seja alguém
com você mesmo (a)
O Instante.
Aproveite-o.
Passou.
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