quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

APOCATÁSTASE

 



Estar aqui não é uma via de renúncia, mas de transformação.

Presenciamos transformações e nas transformações que presenciamos, somos de alguma forma transformados. Basta apenas um pensamento ruim e tudo mais é contaminado. Basta apenas uma gota de ansiedade e o amanhã já foi contaminado.  Nós estamos aqui para perdermos certas ideias que construímos enquanto vivemos: a morte em si é um fato e não podemos mudar isso, mas as nossas ideias podem ser mudadas no decorrer da vida. A grande questão não é sermos orgulhosos com a verdade que construímos e que depois nos apropriamos. A grande questão é como fazemos para transformar as verdades que temos em verdades que somos. Podem tentar manipular a verdade que tenho, mas nunca poderão manipular a verdade que sou.

Há uma obstrução nos ouvidos e nos olhos de certas pessoas.

Uns acreditam que está tudo resolvido e outros acreditam que há muito para se resolver. Tanto um quanto o outro vivem à beira da inocência.

Estamos todos a caminho...

Caminho de quê?

A caminho.

Quem vive a caminho desinstalou-se. Não vive a margem do caminho. Não se estagnou.

O vento oferece o seu frescor. A árvore a sua sombra e seus frutos. O Sol o seu calor e a Lua, a sua beleza que corta a escuridão da noite. A criança oferece o seu sorriso, as flores o seu cheiro, a chuva oferece o arco – íris e o caminho a impossibilidade do retorno. A força oferece a fraqueza debilitante e a fragilidade, a força que se agiganta.

É o espinho que por vezes, mantém intacta a Beleza da Rosa.

Estamos todos a caminho.

Antes de oferecermos a fala, cabe o silêncio.

Ter sabedoria para não irmos da ignorância à estupidez.

Sabemos que o instrumento justo nas mãos do injusto terá um efeito injusto.

O instrumento injusto nas mãos do justo promoverá um efeito justo.

O contrário da simplicidade é a duplicidade. O simples vive sem dobras: ele não é duplo.

O orgulhoso avarento não dorme pois tem medo de que lhe tirem o que tem. O Simples até o que não tem é compartilhado.

Por isso importa dizer: estamos todos a caminho.

Toda passagem é uma passagem para o vazio. Não há nada a temer.

Há imagens que serão quebradas e isso nós chamamos de decepção.

[importa que imagens quebrem. Somente assim vocês descobrirão os nomes que não devem ser mais citados e endereços que não devem ser mais visitados]

Há projetos que não irão se concretizar e isso chamamos de frustração.

[o obstáculo que a frustração cria é o caminho por onde você continuará]

Há amores que descobrir-se-ão não reais e isso nós chamamos de desilusão.

[a desobrigação de acreditar em uma mentira é a maior das liberdades]

Há uma verdade que lhe tira da caverna da aparência: a verdade que você não quer saber.

Na escolha de ir para alguém, só vale se o “ir” para alguém lhe tornar alguém, caso contrário, seja alguém com você mesmo (a)

O Instante.

Aproveite-o.

Passou.

 

 

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